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A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestaram preocupação com possíveis interferências externas no processo eleitoral brasileiro de 2026, especialmente diante de alertas relacionados a eventuais pressões provenientes dos Estados Unidos.
Em nota conjunta divulgada na segunda-feira (21), as entidades afirmaram que uma eventual interferência poderia afetar a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação da vontade dos eleitores.
A ABC e a SBPC destacaram que a escolha dos governantes brasileiros deve ser feita pelos próprios eleitores e afirmaram que nenhum governo, Estado, poder econômico ou ator externo deve tentar condicionar essa decisão.
As entidades mencionaram possíveis formas de interferência, como pressões políticas ou econômicas, manipulação do ambiente informacional e uso indevido de tecnologias e plataformas digitais.
A nota também ressalta que eventuais ações de interferência devem ser identificadas e apuradas com base em evidências, transparência e respeito ao Estado Democrático de Direito.
A manifestação ocorre após a divulgação de informações sobre um relatório reservado elaborado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e encaminhado, no fim de agosto, à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.
Segundo informações divulgadas sobre o documento, a Abin apontou risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras e identificou uma tendência de escalada da pressão norte-americana sobre o Brasil. A avaliação foi classificada pela agência em um nível de criticidade relacionado à possibilidade de interferência externa.
É importante destacar que o alerta da Abin trata de uma possibilidade de risco e não significa, por si só, que uma interferência estrangeira nas eleições tenha sido comprovada.
ABC e SBPC também manifestaram apoio à iniciativa do Instituto Vladimir Herzog, que levou às Nações Unidas preocupações sobre possíveis ingerências externas no processo eleitoral brasileiro.
As entidades defenderam atenção internacional aos princípios de soberania, não intervenção e respeito ao resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral, independentemente de quem seja o vencedor.
As eleições brasileiras estão marcadas para 4 de outubro de 2026. No primeiro turno, os eleitores escolherão representantes para os cargos de deputado estadual ou distrital, deputado federal, senador, governador e presidente da República.
Na nota, ABC e SBPC também defenderam a integridade do ambiente informacional e conclamaram instituições públicas, comunidade científica e acadêmica, organizações da sociedade civil, meios de comunicação, plataformas digitais e a população a contribuir para um ambiente baseado em informação confiável, respeito às instituições e liberdade de escolha.
A manifestação foi assinada por Helena Bonciani Nader, presidente da ABC, e Francilene Procópio Garcia, presidente da SBPC, com data de 21 de setembro de 2026.
Fonte: Agência Brasil, ABC e SBPC.
~Redação Rádio Ativa FM