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O pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, saiu de Imperatriz, no Maranhão, e percorreu mais de 2 mil quilômetros até Belo Horizonte, em Minas Gerais, acreditando que iria morar com uma mulher por quem havia se apaixonado pela internet.
Ele chegou à capital mineira neste domingo (11), mas descobriu que a mulher com quem conversava não existia no mundo real. O perfil, que se apresentava como “Jéssica”, utilizava uma figura gerada por inteligência artificial e enviava respostas automáticas para pessoas que interagiam com as publicações.
Mesmo depois de ser informado pela reportagem de que se tratava de um perfil de inteligência artificial, Edimar continuou tentando enviar mensagens para encontrar a suposta mulher.
“Eu não sei nem dizer… Para que que tem um aplicativo desse, né? Se não é para existir um negócio desse, não era nem para estar aí”, afirmou o pedreiro.
Segundo Edimar, a decisão de deixar Imperatriz foi influenciada pela morte da mãe, que abalou sua relação com a cidade onde vivia.
“Eu não quero mais ficar em Imperatriz, não gosto de lá. Eu gostava de lá quando minha mãe era viva. Isso minha família toda sabe”, contou.
O pedreiro também relatou que a solidão contribuiu para que ele tomasse a decisão de viajar em busca da mulher que conheceu pelas redes sociais.
“Às vezes, uma solidão dentro de casa acaba trazendo muito transtorno na vida da gente. Por isso que eu vim atrás dela”, desabafou.
De acordo com Edimar, as conversas com o perfil de “Jéssica” incluíam a promessa de uma vida a dois em uma propriedade rural.
“Ela falou assim: ‘Não, você vai morar mais eu aqui na fazenda’. Então, assim, eu digo: ‘Então eu vou’”, relatou.
Acreditando na promessa, o pedreiro decidiu deixar o Maranhão e seguir para Belo Horizonte.
Após chegar à capital mineira e perceber que havia sido enganado, Edimar ficou em uma situação de vulnerabilidade. Sem dinheiro e com mobilidade reduzida devido a um problema na perna, ele está afastado pelo INSS e utilizou os poucos recursos que tinha para pagar diárias em um hotel.
Apesar da situação, o pedreiro afirmou que pretende encontrar uma maneira de seguir em frente.
“A gente sofre, mas a gente chega lá… A gente fica na situação, mas a gente caça o rumo, porque as portas não se fecham, as portas se abrem”, afirmou.
O caso de Edimar não é isolado. Segundo as informações divulgadas, este é o terceiro episódio semelhante registrado em Belo Horizonte em menos de seis meses.
Em junho, um idoso que saiu de Roraima chegou à capital mineira acreditando em um vídeo de uma suposta namorada que havia conhecido pela internet. Em agosto, outro idoso, vindo de Manaus, também viajou para Belo Horizonte após acreditar em vídeos de uma mulher que prometia relacionamento e até oportunidade de trabalho.
Nos casos, os contatos costumam envolver vídeos de mulheres atraentes que se apresentam como proprietárias de áreas rurais e fazem convites para que homens viajem até Minas Gerais.
Depois da experiência, Edimar afirmou que pretende deixar de utilizar as redes sociais.
“Nem Instagram, nem Facebook, não quero nenhum… É uma coisa que eu não quero mais de jeito nenhum”, declarou.
O episódio chama atenção para os riscos de perfis falsos e conteúdos produzidos por inteligência artificial, especialmente quando utilizados para estabelecer vínculos afetivos e criar expectativas em pessoas que acreditam estar conversando com alguém real.
Fonte: Itatiaia.
~Redação Rádio Ativa FM